segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Análise de Imagem

Na aula de hoje, 11 de novembro, como atividade final, analisamos uma imagem, segundo a abordagem sociossemiótica de kress e van Leuvenner. Minha equipe (Josimar, Nildo, Aléssia e Arly) selecionou a capa do catálogo d’O Boticário para o dia dos Namorados.



Metafunção

Representacional
- Narrativa, transicional e bidirecional – os participantes encerram uma ação mútua de troca de carinhos.
Interativa
- Contato: oferta – os participantes se oferecem à interpretação do observador;
- Distância social: afastamento – em plano aberto (long shot), os participantes põem-se como algo a ser contemplado à distância;
- Perspectiva: ângulo oblíquo – alheamento, pois os participantes agem como se ignorassem a existência de observadores;
- Modalidade ou valor de verdade: não naturalista – os participantes posam para foto.
Composicional
- Valor de informação: em cima, a informação ideal – “viva linda com O Boticário” – embaixo, a informação real – “Tentações irresistíveis. Neste dia dos namorados, curta momentos a dois com presentes exclusivos de O Boticário.”
- Saliência: fontes – tamanhos, formas e cores; brilho; superposição de imagens para sugerir sete situações do dia-a-dia, em sintonia com o enunciado  “Descubra as sete novas fragrâncias de Egeo Tentações”, no meio da capa, lado direito.
- Estruturação: fraca, porque os elementos que compõem a capa não aparecem em espaços delimitados por linhas claras, exceto a sentença “Entregue-se”, cujo fundo na cor rosa a deixa em relevo.

Outras equipes e suas análises:
- A equipe de João Vitor analisou uma capa da revista Veja em cujo centro está a imagem do ex-presidente Lula, vestido de presidiário.
- A equipe de Flávia Oliveira analisou blogs. Um deles, cujo título é Blog do Poeta, cria um ethos (a imagem de si que autor passa para o seu leitor) negativo, pois o blog não é sobre poesia nem poeta é sobrenome de seu autor. Essas expectativas não confirmadas dão ao blog um sentido de falsidade ou, ainda, amadorismo, pois a escrita do título parece ter sido fruto de uma escolha alheatória, e não de um planejamento, que levasse em conta o assunto do blog e a mensagem de si mesmo que seu autor gostaria de transmitir.
- A equipe de Eliezer analisou um blog sobre moda feminina. A imagem selecionada por eles, para análise, mostrava uma modelo, (autora do blog) posicionada à frente de três grandes quadros, tendo como fundo uma parede branca. Entre outras coisas, eles notaram que, na imagem, a modelo disputava espaço com os quadros, porque ora o observador poderia desviar sua atenção para ela, ora para os quadros. Assim, a composição da imagem não favorece a autora do blog a realizar o objetivo ao qual, supostamente, ela se propunha, qual seja: propagandear moda feminina. Isto porque, na leitura da imagem apresentada, a atenção do leitor permanece divindade entre as duas informações mais salientes: a modelo e os quadros.
- A equipe de Alcilene Vieira analisou uma capa da revista Superinteressante em cujo centro há uma composição de talheres, prato, molha de tomate e macarrão, que nos faz lembrar um crânio humano mergulhado em sangue, e, ao lodo, como título da capa, a frase “O perigo do glúten”.

Abordagem Sociossemiótica

Na aula de hoje, 04 de novembro, falamos sobre a abordagem sociossemiótica para a leitura de imagem proposta por Kress e van Leeuwen.

A abordagem desses autores foi inspirada na gramática sistémico-funcional de Halliday. Donde, metafunções, tais como a representacional, a interativa e a composicional, guiam a leitura de imagem.

A seguir, reproduzimos um quadro expositivo para as metafunções.

Halliday (1978)
Kress e van Leeuwen (1996)

Ideacional
Representacional
Responsável pelas estruturas que constroem visualmente a natureza dos eventos, objetos e participantes envolvidos, e as circunstâncias em que ocorrem. Indica, em outras palavras, o que nos está sendo mostrado, o que se supõe esteja “ali”, o que está acontecendo, ou quais relações estão sendo construídas entre os elementos apresentados.
Interpessoal
Interativa
Responsável pela relação entre os participantes, em que os recursos visuais constroem “a natureza das relações de quem vê e o que é visto” (KRESS e VAN LEEUWEN, 2006).
Textual
Composicional
Responsável pela estrutura e formato do texto, refere-se aos significados obtidos através da “distribuição do valor da informação ou ênfase relativa entre os elementos da imagem”.
Fonte: Adaptado de Fernandes e Almeida (s/d). Revisitando a gramática do visual.


O professor Luiz Fernando Gomes trouxe alguns exemplos, em que, supostamente, analisavam-se imagens, como Abaporu, de Tarsila do Amaral. Notamos que, quase sempre, seus proponentes se fixam naquilo que está disponível para todos, ou seja, naquilo que é percebido na superfície da imagem. Donde a descrição de elementos reconhecíveis como cores, formas, objetos, etc., sem, contudo, a partir daí conseguirem extrair algum sentido além daquilo que os seus olhos veem.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Leitura de Imagem

Na aula de hoje, 28 de outubro, falamos, entre outras coisas, sobre a leitura de imagem. Vimos que o termo linguagem é impreciso. Por isso, os estudiosos usam a expressão modo de representação, e não linguagem visual, quando tratam de imagem. Além disso, os signos não são as coisas, mas representações das coisas. Toda representação serve para expressar algo, seguindo diferentes modos. Assim, podemos falar de modos de expressão, já que tudo aquilo que é representativo também é expressivo.

No caso da leitura de texto e imagem, devemos começá-la pelo layout – o uso dos espaços tipográficos. Podemos sugerir uma hierarquia para as informações, dando-lhes maior ou menor destaque (saliência), como no recorte da homepage abaixo (imagem 1).

Imagem 1: Disponível em: http://www.msn.com/pt-br/?ocid=mailsignoutmd&AR=1


Cada modo de representação tem um affordance (aptidão). Por exemplo, as palavras são boas para narrar o mundo; a imagem é boa para mostrar (ilustrar) o mundo.

Imagem 2: Disponível em: http://www.ufrgs.br/biologiacelularatlas/morfo5.htm
A abordagem semiótica, cujo precursor foi Roland Barthes, é uma possibilidade teórica para a leitura de imagem. Essa abordagem trabalha, principalmente, dois níveis de leitura: denotação e conotação. A denotação consiste na mensagem icônica, isto é, na identificação de elementos perceptíveis na imagem (cores, formas, texturas, etc.), que portariam uma mensagem.

Imagem 3: Silhuetas de homens e de mulheres, aparentemente, jovens, cujas mãos erguem em direção aos céus. Há pouca luminosidade, o que sugere o crepúsculo vespertino. 
 A conotação consiste na mensagem codificada, isto é, na captação da mensagem contida nesses elementos percebidos. Logo, a denotação é o nível de leitura mais superficial, e a conotação o mais profundo.

Imagem 4: Temos, pelo menos, duas leituras igualmente aceitáveis: (1) jovens em estado de euforia num espetáculo de música ao ar livre; (2) jovens em adoração a Deus, numa demonstração de esperança na salvação para a vida eterna.
Como podemos notar, as imagens não dizem tudo. Em muitos contextos, elas podem precisar do apoio do verbal. Esse é o caso das diferentes leituras da imagem 4 acima.

sábado, 24 de outubro de 2015

Atividade

Na aula de hoje, 21 de outubro, respondemos, em grupo, à atividade de revisão a seguir.

 1) Aponte as principais semelhanças e diferenças entre texto e hipertexto, dividindo-as em três categorias: 1) sua constituição; 2) questões referentes à leitura; 3) questões referentes à sua produção para fins educacionais, tanto para o ensino quanto para a aprendizagem.

TEXTO – HIPERTEXTO

Semelhanças
(texto e hipertexto)
Diferenças
Texto
Hipertexto
Constituição
multimodal
unidimensional;
sequencial.
multidimensional;
descentralizado (rede);
links.
Leitura
pressupõe um leitor;
não linear;
processamento cognitivo;
“controlada” pelo leitor.

facilidade de acesso a outros textos
Educação
pressupõe objetivos

tipos de links

 2)  Qual a relação entre internet, web e hipertexto?

Podemos dizer que há entre a internet, a web e o hipertexto uma relação de dependência, já que o hipertexto, como um sistema aberto, formado por textos associados de modo não linear e/ou descentralizado, precisou do advento da internet para existir. No início, o hipertexto – que, na verdade, era um sistema de indexação de livros de modo não linear, para fins pessoais – idealizado por Vannevar Bush dependia de microfilme (sistema fechado). Com o surgimento da internet foi que TedNelson desenvolveu o hipertexto baseado em computador, aliás o próprio Ted Nelson foi quem cunhou o termo hipertexto em um artigo, que tratava de seu projeto Xanadu, que, por sua vez, é tido como o precursor da web. Xanadu foi idealizado como um sistema aberto, ou seja, no qual todo o seu conteúdo poderia ser acessado de maneira não hierárquica.

3) Quais as principais funções dos links? Dentre as funções chamadas retóricas, quais as que vocês percebem como as mais importantes ou mais usuais?

Há duas funções principais para os links: a função retórica e a função estrutural. Dentre os links cuja função é retórica, as mais comuns são: ampliar, induzir e ilustrar, entretanto, não necessariamente nessa ordem.

4) Sobre os chamados gêneros digitais, apresentem a(s) definições de gêneros que perceberam ser mais produtivas para suas pesquisas/atividades com as linguagens no meio digital. Com base nessa(s) teoria(s) façam um elenco de gêneros digitais, justificando cada um dos gêneros elencados mediante um enquadramento teórico.
     
      Em se tratando de gêneros digitais, o que percebemos é que a filiação teórica de cada autor apresenta pontos de vista diferentes a esse respeito. Dentre eles, salientamos o de Araújo (2014). Para o autor, não há uma categoria de análise que possamos chamar de gêneros digitais, pois, em sua visão, os gêneros atendem a demandas de uma dada esfera de atividade humana (direito, literatura, pedagogia, jornalismo, etc.), não sendo possível caracterizarmos a internet como uma esfera de atividade humana, mas como um meio aglutinador das várias esferas de atividade humana existentes. Teríamos, portanto, um meio digital, e não propriamente uma nova esfera de atividade humana, que faça emergir novos gêneros, para atender suas próprias demandas. Desse modo, concordamos com Araújo, quando ele propõe o termo gênero discursivo digital, para nomear os gêneros que aparecem no meio digital, enfatizando, assim, que se trata de um gênero duma esfera discursiva no meio digital, e que esse está sujeito aos limites e possibilidades inerentes a esse meio. Essa posição não descarta as diferenças entre gêneros discursivos analógicos e gêneros discursivos digitais, mas enfatiza a nova modalidade da comunicação feita para o meio digital. Por isso, Araújo aponta o processo de reelaboração como o modo pelo qual os gêneros discursivos ascendem ao meio digital, através de procedimentos como mashup e remix, que resultam em gêneros discursivos digitais híbridos.
      Por motivos óbvios, descartamos a possibilidade de elencarmos gêneros digitais. 

sábado, 17 de outubro de 2015

Vejam aí

Iniciamos a aula. Fala o professor. Retoma as discussões da aula passada. Propõe a dinâmica da aula. Diz que hoje a aula vai ser assim:
 - Apresentação dos trabalhos sobre gêneros digitais e hipertexto, e apresentação de respostas à atividade de revisão anunciada na aula passada, respectivamente - conclui. 
Assenti com a cabeça. 
Somos poucos alunos em sala. O professor fala sobre a ABEHTE
- Na minha opinião, seria razoável pensarmos em alterar o nome de algumas associações que incluem a palavra hipertexto em seus títulos, já que muitas delas não tomam o hipertexto como objeto de estudo. Hoje, podemos dizer que elas, no limite, tangenciam o tema do hipertexto. Preferem se dedicar ao estudo de modismos (e-mail, blog,  Orkut,Twitter, AVA, games, etc.) ou ao estudo de temas associados (interação, multimodalidade, interatividade, aprendizagem/escrita colaborativa, literatura, jornalismo, etc.). Prova disso são as palavras-chave retiradas dos títulos de artigos públicos em eventos organizados por essas associações, que foram, por mim, sistematizadas nesses slides. Vejam aí - aponta.
Olhei. Medi. Matutei. Voltei a medir e resolvi:
- Para mim, está bem. Justo. Ele tem razão - pensei, ordinariamente.
Num canto do caderno, anotei o seguinte: 

Primeiro, Josineise e Sandra apresentaram o artigo “Gêneros digitais: as TIC como possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa”. Em seguida, Eliezer expôs seu hipertexto educacional. Ele montou um material para a aula de inglês, "linkando" diferentes textos: uma atividade, a letra de uma canção e um dicionário on line. Por fim, Edson apresentou seu trabalho sobre os “Gêneros textuais digitais ensino/ aprendizagem da web literatura, o caso dos weblogs”, de Jéssica Souza Carneiro.

No mais, lembro-me vagamente de alguém a me perguntar se teríamos aula no dia seguinte. Acho que foi Flávia. Sim, foi a Flávia.

sábado, 10 de outubro de 2015

De volta da greve

Encerrada a greve dos professores da UFAL, que tive início em abril deste ano, voltamos à universidade hoje, dia 07 de outubro. Fizemos um balanço geral das discussões propostas no Plano da Disciplina. Por exemplo, dentre os temas propostas para estudo – hipertexto, gêneros digitais e multimodalidade – apenas um – o da multimodalidade – ainda não foi discutido em sala de aula.
Esperamos discutir esse tema mais afundo na próxima aula, dia 14. Mesmo assim, hoje, 07, adiantamos uma questão: por que nós professores de língua, volta e meia, não conseguimos trabalhar a multimodalidade? A resposta mais espontânea a essa questão é que não fomos preparados para isso. Fomos formados para, basicamente, trabalhar uma única modalidade da língua, a escrita. E o que pode ser ainda pior: somos preparados para ignorar aspectos multimodais na própria escrita! A escrita envolve um rico trabalho semiótico – desenhos de letras, cores, tamanhos, emprego de maiúsculas e minúsculas, espaços em branco na página, etc. –, ao qual nem sempre damos a devida atenção. De fato, às vezes dizemos aos nossos alunos que tudo isso não passa de ornamentação gratuita, ou, ainda, que tudo isso existe por si só, ou seja, não carece de justificativa.
            No que se refere ao ensino da multimodalidade, o problema básico é a nossa ignorância. De fato, para nós professores, o primeiro passo, portanto, é procurar superar a ignorância, sem perder de vista que esse é um passo necessário, porque é básico, mas não suficiente, porque não é o único. É esse passo que nós buscaremos dar a partir da próxima aula, como dissemos antes.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Tipologia dos links

      Já pensou se fôssemos todos iguais. O mesmo corte de cabelo. As mesmas roupas. O mesmo sotaque. As mesmas opiniões... Graças à Natureza e à História, fomos genética e culturalmente abençoados com a diversidade.

      O mesmo vale para os links. Eles não aparecem nem se comportam da mesma forma o tempo todo. Em geral, há sempre uma novidade para nos surpreender. E que nos entedia ver e fazer sempre as mesmas coisas. Palavras destacadas no corpo do texto (geralmente na cor azul) ou imagens alinhadas a ele continuam atraindo a atenção de muitos leitores, mas, se palavras e imagens aparecem quase que numa ciranda (vídeo. 1), insinuando-se para o leitor na tela, como resistir?

Vídeo 1: Exemplo de link que combina imagem e texto em movimento (banner). Fonte: Folha de S. Paulo. Acesso em: 03 mai. 2015. Disponível em: http://www.folha.uol.com.br/.

      Além disso, "gato escaldado tem medo de água fria". E aqueles links maliciosos de ontem já não enganam o leitor maltratado de hoje. Pode ser esse também um dos motivos da necessidade de renovação constante desses pontos de associação de textos na web.
Acima dessas questões, coloca-se o papel dos links para a estruturação e o funcionamento do hipertexto (fig. 1). Os links, segundo o prof. Luiz Fernando Gomes, em seu texto "Classes de Links e Tipos de Links", podem ter tanto função estruturante, quanto retórica.




Figura 1: Os links, neste caso, não só têm função estruturante, na medida em que organizam os arquivos do blog de forma descendente, ou seja, das postagens mais recentes para as mais antigas, conforme ano, mês e dia, respectivamente, como também têm função persuasiva, na medida em que sugerem um caminho de leitura voltado para o privilégio do arquivo mais atual, da necessidade de se manter atualizado.


      Essa consciência pode ser de grande ajuda no momento de planejar um hipertexto, pois a disposição dos links na sua superfície poderá sugerir diferentes caminhos de leitura para leitor.

Tipologia do Hipertexto


Classificar as coisas, em geral, não é nada fácil. Quem já tentou classificar as músicas salvas no celular sabe que essa tarefa mexe com a gente. Dificilmente, há uma certeza absoluta. E que os artistas costumam mudar de estilo com certa frequência, experimentar coisas novas.
Se o alvo da classificação for o hipertexto, o que deve ganhar maior relevância é a forma como os links organizam-no e significam-no.
Interconectar textos com links. Esta tarefa pode ser planejada para alcançar diferentes objetivos. Talvez esta seja a maior contribuição do texto de autoria do professor Luiz Fernando Gomes “Tipos de Hipertexto”. De fato, importa saber que um hipertexto com objetivos educacionais pode assumir uma organização, por meio da disposição de links em sua superfície, bem diferente de outro cujo objetivo é basicamente o entretenimento, por exemplo, pois, assim, um professor poderá planejar com maior segurança atividades em cuja base está o hipertexto.
Vamos à classificação de hipertexto nas categorias aberto e fechado, e em subcategorias (linear, reticulado, hierárquico e em rede), conforme o funcionamento dos links:

Figura 1:  RosettaStoneâ,  um aplicativo para o ensino de línguas, é um exemplo de hipertexto fechado, pois todos os seus links apontam para documentos armazenados no próprio computador.  


Vídeo 1: O Facebookâ é um exemplo de hipertexto aberto, pois é possível acrescentar-lhe links que apontam para outros pontos da web. Nesse caso, o link inserido no Facebook aponta para o Youtubeâ.


Vídeo 2: Exemplo de hipertexto linear ou sequencial. Ele é caracterizado dessa forma porque por meio de seus links o leitor pode apenas fazer os movimentos de ida e de volta entre os textos.


Vídeo 3: Exemplo de hipertexto hierárquico. Ele é caracterizado dessa forma porque há um acesso principal que permite ao leitor o acesso a outros textos.


Vídeo 4: Exemplo de hipertexto reticulado. Ele é caracterizado dessa forma porque permite uma maior liberdade de acesso, porém limitada, já que nem todos os textos estão integrados uns aos outros por meio de links. 


Se pensarmos agora nos possíveis efeitos da classificação proposta pelo prof Luiz Fernando para o hipertexto, podemos dizer que, com essa classificação em mente na hora de produzir um hipertexto, podemos tencionar o leitor a concretizar certos objetivos de leitura ao invés de outros não desejados. Além disso, o próprio leitor poderá sair-se melhor na leitura, ativando, para isso, e com maior rapidez, estratégias de leitura necessárias para aquele tipo de hipertexto. De fato, quem sabe com que tipo de material terá de trabalhar tem mais chances de planejar melhor suas atividades.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Elementos de Textualidade


            Era quarta de manhã cedinho, às 8h30min, quando entrei na sala, e já estava atrasado. A aula começara meia hora antes, às 8h, relógio cravado. Tenho que me familiarizar o mais rápido possível com o transporte público de Maceió, pois, do contrário, vou chegar sempre atrasado.
            A aula foi dedicada à discussão do texto de autoria do Prof. Luiz Fernando Gomes A Textualidade do Hipertexto. Em Linguística Textual, textualidade é o conjunto de elementos (princípios) necessários para caracterizar algo como sendo um texto. Nesse sentido, Koch (2005 apud Gomes 2010:3) aponta seis elementos ou princípios de textualidade: a intertextualidade, a informatividade, a situacionalidade, a topicidade, a relevância e a coerência. Esses elementos têm servido para o estudo de textos impressos. Por isso, o professor propôs que elaborássemos um quadro que apontasse como eles se relacionam, teoricamente, com o hipertexto.
            O quadro a seguir busca responder essa questão.

Relação dos Elementos de Textualidade de Textos Impressos com o Hipertexto
Elementos de Textualidade
Hipertexto
Intertextualidade
a intertextualidade como elemento constitutivo, pois faz parte da natureza do hipertexto a inter-relação entre textos através de links.
informatividade
a informatividade pode ser alta ou baixa, segundo as expectativas do leitor quanto aos textos e às opções de links disponíveis.
situcionalidade
a situcionalidade é distinta, pois coloca, para quem produz hipertextos, a necessidade de planejamento da disposição tipográfica de textos e sua inter-relação, bem como a distribuição dos links para que as informações desejada sejam acessadas. Logo, é um elemento essencial para a construção de sentido.
topicidade
a topicidade é distinta, pois, no caso do hipertexto, há diferença quanto à continuidade temática e à progressão referencial, ficando essas dependentes das páginas visitadas anteriormente pelo leitor e do quanto o arranjo dessas pode lhe parecer sequenciador do mesmo tópico.


Caracterizar o hipertexto


Na universidade, entre vinte ou vinte e cinco colegas de sala, começo, ainda de manhã cedinho, a ruminar questões sobre as características do hipertexto. O professor Luiz F. Gomes propôs a leitura do texto de sua autoria O hiper do hipertexto sobre essas características. Para cortar caminho, podemos resumir a posição do autor do texto dizendo que o prefixo “hiper”, nesse caso, significa que o hipertexto é multidimensional, graças à presença de links, pois é através deles que o hipertexto pode ser acessado a partir de diversos pontos distintos, portanto o que há de mais fundamental para caracterizar o hipertexto é o link.
Em sala, a discussão continuou até o meio dia. Encerrado a aula, levei para casa a tarefa a seguir: apontar e comentar as semelhanças e diferenças entre texto e hipertexto. Nesse sentido, o quadro abaixo busca responder a essa provocação.

Semelhanças e Diferenças entre Texto Impresso e Hipertexto
Texto Impresso e Hipertexto
Texto Impresso
Hipertexto
Comentários
semelhanças
diferenças
diferenaças
·         Podem ser formados por páginas;
·         Podem ter suas partes organizadas em um índice;
·         Em geral, são multimodais;
·         Sugere uma leitura mais linear;
·         Seu suporte pode ser eletrônico (PDF, por exemplo). ou não (texto impresso, por exemplo).
·         Progressão limitada à dimensão do suporte.
·         Tem links;
·         Permite uma Leitura menos linear;
·         Multidimensional;
·         Páginas em rede;
·         Seu suporte é sempre eletrônico;
·         Progressão, teoricamente, ilimitada.
Tanto o texto quanto o hipertexto têm progressão. Porém, parece que, no caso do hipertexto, ela depende não só do leitor, quem decide que páginas acessar, mas também da existência de links, portanto do autor, quem torna os links disponíveis ou não para o leitor.


            Este é o quadro que sugiro para o desafio lançado pelo professor Luiz Fernando Gomes. Certamente não é o único possível. Outros podem ser encontrados nos sites e blogs dos meus colegas de turma. Confira a lista de endereços na guia blogs sugeridos, à direita desta postagem, logo abaixo da guia Arquivos do blog.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Tecendo o hipertexto

Figura: Trama de papel.  Disponível em: http://www.tokstok.com.br/
pnv/570/t/tramadpja_vh.jpg. Acesso em: 30 abr. 2015.

Um texto sozinho não tece o hipertexto:
ele precisará sempre de outros textos.
De um link que apanhe esse discurso que ele deu
e lance a outro; de um outro link
que apanhe o discurso de um texto antes
e o lance a outro; e de outros textos
que com muitos outros links se cruzam
em fios de palavras de seus discursos de texto,
para que o hipertexto, desde uma teia tênue,
se vá tecendo entre todos os textos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos, no toldo
(o hipertexto) que plana livre de armação
O hipertexto, toldo de um tecido tão complexo
que, tecido, se eleva assim: link informação.

Fonte: adaptado de Tecendo a Manhã, de João Cabral de Melo Neto. Clique aqui para visualizar a versão original do poema.

sábado, 25 de abril de 2015

"Link" que não "linka"

Fonte: http://www.zedudu.com.br/?attachment_id=6689
      Vós, diz a Linguística, falando ao link, sóis a textualidade do hipertexto: e chama-lhe textualidade do hipertexto porque quer que faça no texto digital o que fazem, por exemplo, a coesão e a coerência no texto impresso. O efeito da coesão e coerência é impedir o não texto, mas quando o meio digital se vê tão vazio de hipertextos como está o nosso, havendo tantos nele que têm ofício de coesão e coerência, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o link não link, ou porque o texto não se deixa linkar. Ou é porque o link não linka, ou porque a textualidade do hipertexto ainda não foi investigada; ou é porque o link não linka, e o autor promete HTML e tudo acaba em PDF; ou é porque o link não persuade, e o leitor, sendo verdadeiro o link que o texto lhe oferece, o não quer receber; ou é porque o link é desonesto, e os leitores querem antes fugir, que segui-lo; ou é porque o link é conhecido apenas por sua funcionalidade eletrônica, e o leitor, em vez de servir à Linguística Textual, serve apenas ao apetite da WEB 2.0. Não é tudo verdade? Quem sabe! Faltam pesquisas.
      Suposto, pois, que, ou o link não “linke” ou o texto digital não se deixe linkar; que se há-de fazer a este link e que se há-de fazer a este texto? O que se há-de fazer ao link que não linka? A Linguística disse: (...) os links que ajudam a caracterizar o hipertexto têm que estar no texto exercendo uma função textual e não apenas navegacional. Portanto, nem todo texto eletrônico é um hipertexto, mas todo hipertexto é eletrônico (GOMES, 2010:10). Se o texto digital perder o link ou ao link faltar função textual, o que se lhe há-de fazer, é nega-lhe o status de hipertexto, para que seja conhecido de todos. Quem se atreverá a dizer tal coisa, se a mesma Linguística a não pronunciara? Assim como não há o que seja mais digno de leitores, que o link que linka e faz o hipertexto; assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés o PDF.

Fonte: Adaptado de Sermão de S.° Antônio aos Peixes, de Pe. Antônio Vieira. Disponível em: httpwww.dominiopublico.gov.brdownloadtextoua000257.pdf_peavieira_sermpeixes. Acesso em: 25 abr. 2015.

sábado, 11 de abril de 2015

Siga o Coelho Branco


 
No filme Matrix (1999), a personagem Neo
(Keanu Reeves) é convidada a seguir
o coelho branco.
No mesmo instante, Alice entrou atrás dele, sem pensar com faria para sair dali.

     Se você já leu Alice no País dasMaravilhas, de Lewis Carroll, deve lembrar bem desta passam. Alice estava entediada. De repente, cruza a sua frente um coelho branco. Cheia de curiosidade, não porque ele tivesse belos olhos cor-de-rosa e soubesse falar, mas porque ele tinha um bolso no colete e havia tirado um relógio dali, Alice se pôs a segui-lo.
     Você já sabe que tipo de “coelho branco” anda seguindo ultimamente? Diante da tela do computador e conectados à internet, parece-me que somos todos Alice. Nesse contexto, o nosso coelho branco é o link. O termo “link” aqui significa ligar textos disponíveis em ambiente digital, associando-os uns aos outros, num movimento de complementariedade.
   Textos “linkados” formam aquilo que se tem chamado de hipertexto*. Certamente, um hipertexto é algo bem mais complexo do que essa estrutura básica, pois, para além de links e texto escrito, você poderá encontrar uma variedade de elementos de linguagem (imagem, áudio, vídeo e outros) na sua superfície.
     No entanto, como Alice, o que mais deve lhe interessar, neste momento, é seguir o coelho branco do hipertexto, ou seja, o link, porque este, por mais comum que lhe pareça ser, pode atrai-lo para a toca dele, que pode parecer tão infinita quanto à do Coelho Brando de Alice.
De fato, como Alice, você pode ser convencido de que vale apena seguir este ou aquele coelho branco só para ver onde isso vai dar. Desse modo, a presença de links na superfície textual é fundamental para a caracterização e a definição do hipertexto, pois eles representam as diversas possibilidades de associações entre textos digitais (GOMES,2010). Por meio deles, você poderá traçar o caminho de leitura que lhe parecer mais interessante seguir.
     Assim, um hipertexto será tão extenso quanto for a sua “curiosidade” para continuar seguindo os links. Os links potencializam uma incrível variedade de possíveis trajetórias de leitura. E, por tudo isso, a partir de agora, você não os verá como antes.

REFERÊNCIAS

*GOMES, Luiz Fernando. O “Hiper” do Hipertexto. In: _____. Hipertextos multimodais: leitura e escrita na era digital. Jundiaí: Paco Editora, 2010, pp. 19-32.