terça-feira, 3 de novembro de 2015

Leitura de Imagem

Na aula de hoje, 28 de outubro, falamos, entre outras coisas, sobre a leitura de imagem. Vimos que o termo linguagem é impreciso. Por isso, os estudiosos usam a expressão modo de representação, e não linguagem visual, quando tratam de imagem. Além disso, os signos não são as coisas, mas representações das coisas. Toda representação serve para expressar algo, seguindo diferentes modos. Assim, podemos falar de modos de expressão, já que tudo aquilo que é representativo também é expressivo.

No caso da leitura de texto e imagem, devemos começá-la pelo layout – o uso dos espaços tipográficos. Podemos sugerir uma hierarquia para as informações, dando-lhes maior ou menor destaque (saliência), como no recorte da homepage abaixo (imagem 1).

Imagem 1: Disponível em: http://www.msn.com/pt-br/?ocid=mailsignoutmd&AR=1


Cada modo de representação tem um affordance (aptidão). Por exemplo, as palavras são boas para narrar o mundo; a imagem é boa para mostrar (ilustrar) o mundo.

Imagem 2: Disponível em: http://www.ufrgs.br/biologiacelularatlas/morfo5.htm
A abordagem semiótica, cujo precursor foi Roland Barthes, é uma possibilidade teórica para a leitura de imagem. Essa abordagem trabalha, principalmente, dois níveis de leitura: denotação e conotação. A denotação consiste na mensagem icônica, isto é, na identificação de elementos perceptíveis na imagem (cores, formas, texturas, etc.), que portariam uma mensagem.

Imagem 3: Silhuetas de homens e de mulheres, aparentemente, jovens, cujas mãos erguem em direção aos céus. Há pouca luminosidade, o que sugere o crepúsculo vespertino. 
 A conotação consiste na mensagem codificada, isto é, na captação da mensagem contida nesses elementos percebidos. Logo, a denotação é o nível de leitura mais superficial, e a conotação o mais profundo.

Imagem 4: Temos, pelo menos, duas leituras igualmente aceitáveis: (1) jovens em estado de euforia num espetáculo de música ao ar livre; (2) jovens em adoração a Deus, numa demonstração de esperança na salvação para a vida eterna.
Como podemos notar, as imagens não dizem tudo. Em muitos contextos, elas podem precisar do apoio do verbal. Esse é o caso das diferentes leituras da imagem 4 acima.

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