sábado, 11 de abril de 2015

Siga o Coelho Branco


 
No filme Matrix (1999), a personagem Neo
(Keanu Reeves) é convidada a seguir
o coelho branco.
No mesmo instante, Alice entrou atrás dele, sem pensar com faria para sair dali.

     Se você já leu Alice no País dasMaravilhas, de Lewis Carroll, deve lembrar bem desta passam. Alice estava entediada. De repente, cruza a sua frente um coelho branco. Cheia de curiosidade, não porque ele tivesse belos olhos cor-de-rosa e soubesse falar, mas porque ele tinha um bolso no colete e havia tirado um relógio dali, Alice se pôs a segui-lo.
     Você já sabe que tipo de “coelho branco” anda seguindo ultimamente? Diante da tela do computador e conectados à internet, parece-me que somos todos Alice. Nesse contexto, o nosso coelho branco é o link. O termo “link” aqui significa ligar textos disponíveis em ambiente digital, associando-os uns aos outros, num movimento de complementariedade.
   Textos “linkados” formam aquilo que se tem chamado de hipertexto*. Certamente, um hipertexto é algo bem mais complexo do que essa estrutura básica, pois, para além de links e texto escrito, você poderá encontrar uma variedade de elementos de linguagem (imagem, áudio, vídeo e outros) na sua superfície.
     No entanto, como Alice, o que mais deve lhe interessar, neste momento, é seguir o coelho branco do hipertexto, ou seja, o link, porque este, por mais comum que lhe pareça ser, pode atrai-lo para a toca dele, que pode parecer tão infinita quanto à do Coelho Brando de Alice.
De fato, como Alice, você pode ser convencido de que vale apena seguir este ou aquele coelho branco só para ver onde isso vai dar. Desse modo, a presença de links na superfície textual é fundamental para a caracterização e a definição do hipertexto, pois eles representam as diversas possibilidades de associações entre textos digitais (GOMES,2010). Por meio deles, você poderá traçar o caminho de leitura que lhe parecer mais interessante seguir.
     Assim, um hipertexto será tão extenso quanto for a sua “curiosidade” para continuar seguindo os links. Os links potencializam uma incrível variedade de possíveis trajetórias de leitura. E, por tudo isso, a partir de agora, você não os verá como antes.

REFERÊNCIAS

*GOMES, Luiz Fernando. O “Hiper” do Hipertexto. In: _____. Hipertextos multimodais: leitura e escrita na era digital. Jundiaí: Paco Editora, 2010, pp. 19-32.

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