terça-feira, 19 de maio de 2015

Tipologia dos links

      Já pensou se fôssemos todos iguais. O mesmo corte de cabelo. As mesmas roupas. O mesmo sotaque. As mesmas opiniões... Graças à Natureza e à História, fomos genética e culturalmente abençoados com a diversidade.

      O mesmo vale para os links. Eles não aparecem nem se comportam da mesma forma o tempo todo. Em geral, há sempre uma novidade para nos surpreender. E que nos entedia ver e fazer sempre as mesmas coisas. Palavras destacadas no corpo do texto (geralmente na cor azul) ou imagens alinhadas a ele continuam atraindo a atenção de muitos leitores, mas, se palavras e imagens aparecem quase que numa ciranda (vídeo. 1), insinuando-se para o leitor na tela, como resistir?

Vídeo 1: Exemplo de link que combina imagem e texto em movimento (banner). Fonte: Folha de S. Paulo. Acesso em: 03 mai. 2015. Disponível em: http://www.folha.uol.com.br/.

      Além disso, "gato escaldado tem medo de água fria". E aqueles links maliciosos de ontem já não enganam o leitor maltratado de hoje. Pode ser esse também um dos motivos da necessidade de renovação constante desses pontos de associação de textos na web.
Acima dessas questões, coloca-se o papel dos links para a estruturação e o funcionamento do hipertexto (fig. 1). Os links, segundo o prof. Luiz Fernando Gomes, em seu texto "Classes de Links e Tipos de Links", podem ter tanto função estruturante, quanto retórica.




Figura 1: Os links, neste caso, não só têm função estruturante, na medida em que organizam os arquivos do blog de forma descendente, ou seja, das postagens mais recentes para as mais antigas, conforme ano, mês e dia, respectivamente, como também têm função persuasiva, na medida em que sugerem um caminho de leitura voltado para o privilégio do arquivo mais atual, da necessidade de se manter atualizado.


      Essa consciência pode ser de grande ajuda no momento de planejar um hipertexto, pois a disposição dos links na sua superfície poderá sugerir diferentes caminhos de leitura para leitor.

Tipologia do Hipertexto


Classificar as coisas, em geral, não é nada fácil. Quem já tentou classificar as músicas salvas no celular sabe que essa tarefa mexe com a gente. Dificilmente, há uma certeza absoluta. E que os artistas costumam mudar de estilo com certa frequência, experimentar coisas novas.
Se o alvo da classificação for o hipertexto, o que deve ganhar maior relevância é a forma como os links organizam-no e significam-no.
Interconectar textos com links. Esta tarefa pode ser planejada para alcançar diferentes objetivos. Talvez esta seja a maior contribuição do texto de autoria do professor Luiz Fernando Gomes “Tipos de Hipertexto”. De fato, importa saber que um hipertexto com objetivos educacionais pode assumir uma organização, por meio da disposição de links em sua superfície, bem diferente de outro cujo objetivo é basicamente o entretenimento, por exemplo, pois, assim, um professor poderá planejar com maior segurança atividades em cuja base está o hipertexto.
Vamos à classificação de hipertexto nas categorias aberto e fechado, e em subcategorias (linear, reticulado, hierárquico e em rede), conforme o funcionamento dos links:

Figura 1:  RosettaStoneâ,  um aplicativo para o ensino de línguas, é um exemplo de hipertexto fechado, pois todos os seus links apontam para documentos armazenados no próprio computador.  


Vídeo 1: O Facebookâ é um exemplo de hipertexto aberto, pois é possível acrescentar-lhe links que apontam para outros pontos da web. Nesse caso, o link inserido no Facebook aponta para o Youtubeâ.


Vídeo 2: Exemplo de hipertexto linear ou sequencial. Ele é caracterizado dessa forma porque por meio de seus links o leitor pode apenas fazer os movimentos de ida e de volta entre os textos.


Vídeo 3: Exemplo de hipertexto hierárquico. Ele é caracterizado dessa forma porque há um acesso principal que permite ao leitor o acesso a outros textos.


Vídeo 4: Exemplo de hipertexto reticulado. Ele é caracterizado dessa forma porque permite uma maior liberdade de acesso, porém limitada, já que nem todos os textos estão integrados uns aos outros por meio de links. 


Se pensarmos agora nos possíveis efeitos da classificação proposta pelo prof Luiz Fernando para o hipertexto, podemos dizer que, com essa classificação em mente na hora de produzir um hipertexto, podemos tencionar o leitor a concretizar certos objetivos de leitura ao invés de outros não desejados. Além disso, o próprio leitor poderá sair-se melhor na leitura, ativando, para isso, e com maior rapidez, estratégias de leitura necessárias para aquele tipo de hipertexto. De fato, quem sabe com que tipo de material terá de trabalhar tem mais chances de planejar melhor suas atividades.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Elementos de Textualidade


            Era quarta de manhã cedinho, às 8h30min, quando entrei na sala, e já estava atrasado. A aula começara meia hora antes, às 8h, relógio cravado. Tenho que me familiarizar o mais rápido possível com o transporte público de Maceió, pois, do contrário, vou chegar sempre atrasado.
            A aula foi dedicada à discussão do texto de autoria do Prof. Luiz Fernando Gomes A Textualidade do Hipertexto. Em Linguística Textual, textualidade é o conjunto de elementos (princípios) necessários para caracterizar algo como sendo um texto. Nesse sentido, Koch (2005 apud Gomes 2010:3) aponta seis elementos ou princípios de textualidade: a intertextualidade, a informatividade, a situacionalidade, a topicidade, a relevância e a coerência. Esses elementos têm servido para o estudo de textos impressos. Por isso, o professor propôs que elaborássemos um quadro que apontasse como eles se relacionam, teoricamente, com o hipertexto.
            O quadro a seguir busca responder essa questão.

Relação dos Elementos de Textualidade de Textos Impressos com o Hipertexto
Elementos de Textualidade
Hipertexto
Intertextualidade
a intertextualidade como elemento constitutivo, pois faz parte da natureza do hipertexto a inter-relação entre textos através de links.
informatividade
a informatividade pode ser alta ou baixa, segundo as expectativas do leitor quanto aos textos e às opções de links disponíveis.
situcionalidade
a situcionalidade é distinta, pois coloca, para quem produz hipertextos, a necessidade de planejamento da disposição tipográfica de textos e sua inter-relação, bem como a distribuição dos links para que as informações desejada sejam acessadas. Logo, é um elemento essencial para a construção de sentido.
topicidade
a topicidade é distinta, pois, no caso do hipertexto, há diferença quanto à continuidade temática e à progressão referencial, ficando essas dependentes das páginas visitadas anteriormente pelo leitor e do quanto o arranjo dessas pode lhe parecer sequenciador do mesmo tópico.


Caracterizar o hipertexto


Na universidade, entre vinte ou vinte e cinco colegas de sala, começo, ainda de manhã cedinho, a ruminar questões sobre as características do hipertexto. O professor Luiz F. Gomes propôs a leitura do texto de sua autoria O hiper do hipertexto sobre essas características. Para cortar caminho, podemos resumir a posição do autor do texto dizendo que o prefixo “hiper”, nesse caso, significa que o hipertexto é multidimensional, graças à presença de links, pois é através deles que o hipertexto pode ser acessado a partir de diversos pontos distintos, portanto o que há de mais fundamental para caracterizar o hipertexto é o link.
Em sala, a discussão continuou até o meio dia. Encerrado a aula, levei para casa a tarefa a seguir: apontar e comentar as semelhanças e diferenças entre texto e hipertexto. Nesse sentido, o quadro abaixo busca responder a essa provocação.

Semelhanças e Diferenças entre Texto Impresso e Hipertexto
Texto Impresso e Hipertexto
Texto Impresso
Hipertexto
Comentários
semelhanças
diferenças
diferenaças
·         Podem ser formados por páginas;
·         Podem ter suas partes organizadas em um índice;
·         Em geral, são multimodais;
·         Sugere uma leitura mais linear;
·         Seu suporte pode ser eletrônico (PDF, por exemplo). ou não (texto impresso, por exemplo).
·         Progressão limitada à dimensão do suporte.
·         Tem links;
·         Permite uma Leitura menos linear;
·         Multidimensional;
·         Páginas em rede;
·         Seu suporte é sempre eletrônico;
·         Progressão, teoricamente, ilimitada.
Tanto o texto quanto o hipertexto têm progressão. Porém, parece que, no caso do hipertexto, ela depende não só do leitor, quem decide que páginas acessar, mas também da existência de links, portanto do autor, quem torna os links disponíveis ou não para o leitor.


            Este é o quadro que sugiro para o desafio lançado pelo professor Luiz Fernando Gomes. Certamente não é o único possível. Outros podem ser encontrados nos sites e blogs dos meus colegas de turma. Confira a lista de endereços na guia blogs sugeridos, à direita desta postagem, logo abaixo da guia Arquivos do blog.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Tecendo o hipertexto

Figura: Trama de papel.  Disponível em: http://www.tokstok.com.br/
pnv/570/t/tramadpja_vh.jpg. Acesso em: 30 abr. 2015.

Um texto sozinho não tece o hipertexto:
ele precisará sempre de outros textos.
De um link que apanhe esse discurso que ele deu
e lance a outro; de um outro link
que apanhe o discurso de um texto antes
e o lance a outro; e de outros textos
que com muitos outros links se cruzam
em fios de palavras de seus discursos de texto,
para que o hipertexto, desde uma teia tênue,
se vá tecendo entre todos os textos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos, no toldo
(o hipertexto) que plana livre de armação
O hipertexto, toldo de um tecido tão complexo
que, tecido, se eleva assim: link informação.

Fonte: adaptado de Tecendo a Manhã, de João Cabral de Melo Neto. Clique aqui para visualizar a versão original do poema.